Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
Beijinhos, beijinhos

Ae, molecada! Já estamos atendendo em nova praça:

WWW.DAQUIPRALA.BLOGSPOT.COM

Daqui a pouco eu posto coisa nova de lá. Espero que fiquem felizes.

E para a turma da Globo, deixo esta singela homenagem:


posted by Gustavo 3:12 PM|

Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
Ontem, foi o meu primeiro dia como universitário. Não estava nem um pouco nervoso, ansioso ou coisa parecida; apenas agradecia ao cara lá de riba pela graça de não ter que enfrentar nunca mais aulas de física, matemática e qualquer coisa Exata que surgir em minha frente. Para as favas as hipotenusas e catetos!

O pessoal é gente boníssima. Puseram em minha cabeça durante todos esses anos o estigma de que em jornalismo só aparecem os "bicho-grilo", garotada natureba que mata aula para declamar Camões e acender um. Bem, talvez tenham elementos dessa patota, mas achei que tinham de todas as tribos. E que beleza, garoto! Muita mulher na minha sala, por todos os lados. Oxalá! Não são feias, não! Cada guria que só vendo: exóticas, intelectuais, outras normais e, até, patricinhas. Cromossomo XX para todos os gostos. Para cada homem devem ter quatro mulheres. "Faraó Gustavo" será o meu nome a partir de hoje. Engenheiros, morram de inveja!

Minha primeira aula foi sobre língua portuguesa. Jóia! Não tendo que achar objeto direto ou predicativo do sujeito em cada frase, a aula torna-se bem agradável. A professora é daquelas que quase ajoelham para a sala participar, comunicar e discutir. Muitos deviam estar tímidos, então ela soltou a frase infalível:
- Qual é? Estudante de comunicação que não fala?!

Mal terminou de falar para alguém estender a mão e fazer uma observação sobre certo texto. Logo em seguida, uma garota levanta e discute com a outra menina. Parecia que todos estavam interligados com um pavio: a professora só fez o favor de acender a ponta para estourar o rojão. A classe inteira começou a discutir, cada um querendo mostrar seu ponto de vista. Era neguinho falando alto por todos os lados. Cacete! Eu nunca presenciei isso numa sala em quase 12 anos de escola! Senti-me em casa, já que adoro um "arranca-rabo". Comentava uma coisa aqui, outra acolá, sempre tentando deixar uma piadinha no final.

Minha aula preferida, até agora, foi a de "Expressão da Comunicação". É bacana, lembra uma aula de teatro. Serve para desinibir o pessoal, trabalhar com a fala e postura. Querendo pagar um belo mico, essa é uma ótima pedida.

Entretanto, como "alegria de pobre dura pouco", aconteceu uma chatíssima aula sobre filosofia. Eu gosto de filosofia, mas o professor tem que saber deixar acordada a classe de aula. O sujeito parece uma mistura de Ozzy Osbourne com Alexandre Frota quando resolve falar ao microfone. Devem ser os efeitos da marijuana de todos esses anos "filosofando".

Para terminar, picotaram meu cabelo. Justamente quando ele estava crescendo e ganhando forma novamente. Veteranos filhos duma égua!

posted by Gustavo 6:03 PM|

Domingo, Fevereiro 15, 2004
A dieta dos sonhos

Muitos ficam indagados com a minha invejável forma física: magro e com uma leve saliência na região abdominal. O segredo? Minha alimentação regrada e exercícios físicos constantes. Leiam nas próximas linhas, minhas dicas de saúde, e sejam felizes - com o corpinho em forma, lógico.

Acordo às seis horas da manhã. É bom para aproveitar o dia - o que é meu caso. Tomo um café da manhã dos campeões: um sanduíche de mortadela e outro de peru; leite gelado e uma bolacha Clube Social integral, já que não quero engordar. O próximo passo é fazer o meu exercício matinal desses últimos dias: aula de volante. Dirigir um volante daqueles (não é hidráulico), deixou meus braços invejáveis. Uma baliza daquelas fortalece, principalmente, seus bíceps e tríceps. Volto da prática esportiva e faço meu "lanchinho da manhã". Como queimei muitas calorias, preciso de glicose em meu organismo e, por isso, delicio-me com o maravilhoso Danette de trufas. Depois tiro uma soneca para repor minhas energias.

Acordo um pouco depois do meio-dia, exatamente na hora do almoço. Meu prato é super-light: arroz, feijão, purê de batatas e frango xadrez. Repito o prato duas vezes. Logo após o almoço, tiro minha pestana, de aproximadamente uma hora e meia. Ao acordar, chega o momento mais esperado do dia: jogar uma pelada. Jogo muito bem: faço diversos gols e perco apenas uma partida. Após duas horas de jogo, desligo o computador e como um sanduíche de mortadela, acompanhado de um Yakult - meu "lanchinho da tarde". Tiro uma leve soneca de vinte minutos.

Acordo e tomo um banho. Mamãe chega do trabalho. Como três pizzas de atum do dia anterior e sinto-me totalmente satisfeito. Eis que chega a hora cultural de meu produtivo dia, afinal, não adianta nada ter um corpinho no capricho e ser uma antan, não é mesmo? Leio algumas paginas do livro "Cem Anos de Solidão" e, percebo, que mama comprou sorvete na padaria. Saboreio um Cornetto de cookies, muito bom, por sinal. Leio mais dois capítulos e ligo a televisão. Assisto a "Um Grande Garoto" e, não sei por qual razão, identifico-me com o personagem vivido por Hugh Grant.

Termina o filme e meu olfato anuncia um gostoso cheiro vindo da cozinha: papai estava esquentando a macarronada feita por mamãe na janta. Como ele odeia comer sozinho, belisco alguma coisinha (um prato de macarronada). Saio da cozinha quase sem sentir as pernas e navego um pouco na Internet. Antes de dormir, bebo chá na minha caneca de estimação e como estou exausto, durmo umas nove horas.

*Espero que tenham anotado direitinho. Nas próximas semanas publicarei minhas dicas de saúde para o carnaval. Até breve.

posted by Gustavo 7:57 PM|

Sábado, Fevereiro 14, 2004
Encontros e Desencontros


"Lost in Translation", deixou-me com algumas dúvidas. Qual seria o gênero do filme? Um pouco de romance aqui, mas tem comédia - porém, revela-se um certo drama. Qual o tema abortado? Amizade e solidão são os principais. É um filme bom, para ter ganhado tanta fama por aí? Sim, e não. Em alguns momentos fiquei um pouco sonolento, nada de mais acontecia no filme. Talvez seja esse o trunfo de Sofia Coppola. É difícil não se sensibilizar com o personagem interpretado por Bill Murray. Enfrentando a famosa "crise da meia-idade", ele sente-se sozinho, sofre de insônia, possui um olhar triste, para o infinito. A companhia de Charlotte parece ser o seu único momento de felicidade, em que ele esquece todas suas preocupações e indagações. Um sente pelo outro um tremendo carinho, mas eles não são nada parecidos. É um "casal" em que você torce para serem amigos, nunca para namorarem. A amizade e cumplicidade sutil de ambos são tão simples, que cativa a todos que assistem.

Ao término do filme, queria - simplesmente - abraçar alguém. Não consigo explicar tal motivo. Acho que isso explica o sucesso da película.

posted by Gustavo 11:09 PM|

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
MTV


Já faz um tempinho que eu ando embirrado com a MTV. Não a brasileira, a matriz americana: chefona de todas, símbolo da juventude mundial, que surgiu com o intuito de divulgar música e atitude 24 horas por dia. Pena que eles tinham essa mentalidade há 20 anos. Faz tempo que eles andam meio conservadores, censurando qualquer coisinha.

Engraçado, é que eles também são sensacionalistas, já repararam? Os gringos gostam duma sacanagem. A MTV americana está virando o genérico da Rede TV. A diferença, é que eles não têm um meio termo: eles apelam e no dia seguinte resolvem censurar alguma coisa, como se tivesse colocando duas medidas sobre o assunto.

Vejamos o exemplo dessa semana que passou: eles, elaboradores dos shows do Super Bowl, mostraram para milhões de pessoas aquele peitinho mixuruca da Janet Jackson. Como neguinho caiu de pau na garotada, eles resolveram mostrar ao mundo como são corretos e responsáveis, censurando o novo clipe da Irritney. Algo bem contraditório, digamos.

Em 2003, a MTV já havia censurado outros clipes - por coincidência, também de outras cantoras: Madonna e Arghilera. No primeiro caso, a "rainha do pop" havia feito um vídeo musical em que criticava o presidente Bush e ao pensamento bélico americano. Deu pra vê-lo umas três vezes. A Madonna ainda se sujeitou a gravar uma outra versão para a música. Já com a outra cantora, encrencaram com a moça pelo fato de seu clipe ser "proibido para menores". Aguilera e várias pessoas usavam roupas curtas, dançavam eroticamente e, num certo quadro, a jovem cantora brincava de maneira "sugestiva" com uma mangueira.

Agora prestem atenção. Citarei novamente o nome das três cantoras: Madonna, Britney Spears e Christina Aguilera. Ó, raios! São as mesmas gurias que protagonizaram o famigerado beijo lésbico no VMA! Qual o maldito parâmetro da MTV gringa? Só vale sacanagem quando o fato ocorrer num evento transmitido para o mundo inteiro?!

Achei outra alcunha para a MTV americana: machista. Se eles acham tudo libidinoso, por que não censuram também alguns clipes de rappers? Ora, tudo lá é bem dirty: mulheres de biquínis, danças eróticas, um esfrega-esfrega de tudo quanto é lado, idéias machistas... Existe coisa mais ridícula do que esses clipes? É sempre o mesmo enredo: 40 negões cobertos de diamantes, bebericando champanhe e falando que "minha nega é puta; comi não sei quantas, peguei minha Mercedes e dei um racha com os manos...". A beleza desses versos coloca a Tati Quebra-Barraco (MC do funk carioca) no chinelo.

Qual é? Medo de tomar tiro desses babacas? Censurar mulher pode, mas pegar um zulu daqueles, nem pensar?

posted by Gustavo 6:19 PM|

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
Fulano 2.0

Eu pensei que já tinha escutado os nomes mais bizarros e loucos do mundo. Coloquei o verbo no pretérito de propósito. Agora o verbo "pensar" está no presente. Alguém soube do nome que o ator John Cusack deu ao seu filho? Coloquem a cachola para funcionar. Tem algo a ver com informática - uma paixão do papai hollywoodiano. Estão preparados? Lá vai: John 2.0.

Qual o problema com "Jr"? Antiquado e ultrapassado? Meu filho acaba de nascer e resolvo batizá-lo com meu nome: Gustavo 2.0. Tenho dó do guri, imaginem como ele será zoado na escola! E o resto da minha prole? 3.0, 4.0? Se forem gêmeos: Gustavo Reloaded!

Poucos sabem, mas "Gustavo" é o meu segundo nome. Chamo-me Luiz Gustavo. Prefiro ser chamado pelo segundo nome que é pra evitar confusão. A razão? Tanto meu pai, quanto meu tio e meu irmão, têm como primeiro nome o maldito "Luiz". Telefonema aqui em casa é uma piada.

- Olá. Posso falar com o Luiz?
- Ok, com qual dos três?
, responde minha mãe.

Na sexta série, eu estudei com gêmeas. Seus nomes eram Jã e Naina. Nomes estranhos, não? Acontece que a mãe das garotas tinha uma paixão pelo nome "Janaína". Vai lá saber se ela não quis fazer Ultrasom, ou era daquelas que só gosta de saber como será o rebento na hora que nasce. Opa! Nasceram duas. O que eu faço? Pego o nome que tanto gosto, divido-o em dois e caso resolvido!

Ano retrasado, conheci um casal de irmãos - filhos de algum papai professor de geografia ou aficcionado pelo continente africano. Quando a garota nasceu, ele teve a idéia de chamar a menina de Quênia. Não é um nome estranho: conheço outras duas, mas com a consoante "K". Bem, o sujeito já tinha dado um nome exótico pra filha, e não é que sua mulher engravida de novo? E de um menino! Pronto, estava feito à homenagem completa ao país africano. O filho se chamou Nairobe, o nome da capital do Quênia!

Agora, de quem eu tenho dó, mas dó mesmo, é do filho da cantora Marisa Monte. Dio santo, como uma pessoa consegue batizar o filho com a "alcunha" de Mano Vladimir?! Ela vai gastar dinheiro com psicólogo. Ô, se vai!

posted by Gustavo 7:57 PM|

JOSS STONE


Linda, não? Jeitinho de adolescente, meio sapeca... É cantora. Pop? Imagina, longe disso. Agora, se eu disser que ela é uma baita cantora de soul, qual seria a sua reação? Pois é, não parece nada a ver com uma garota loira e bonitona, de apenas 16 aninhos.

Ouça o álbum dela "Soul Sessions". A menina teve a manha de regravar canções de soul dos anos 70, acompanhada da banda mais legal de black music do momento: The Roots.

Enjoada? Nada disso: talentosa mesmo. Capaz de mudar o timbre da voz conforme a música - sua voz é o ritmo da canção. Música perfeita para um momento com alguém bacaninha, a sós, com uma bela taça de vinho e uma iluminação bem baixinha. Yeah, tá sentindo o clima, o groove? Isso é soul, isso é
Joss Stone.

Uma dica? O CD inteiro, mas comecem com "Fell In Love With A Boy", versão para aquela musiquinha sensacional do The White Stripes. Gostou? Pegou o compasso contagiante? Então ouça "Super Duper Love" e tente resistir à tentação de não dançar.

Quer saber, ouça logo tudo o que você encontrar de Joss Stone. Vale muito, mas muito, a pena.

posted by Gustavo 5:09 PM|

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
Minha primeira vez


Estou tendo aulas de direção. Sendo o caçula de minha turma, é muito comum a seguinte cena.
- Ô, fulano! Dá pra vir aqui em casa me buscar?

Mas agora não, futuramente serei um grande motorista, terei liberdade, irei para onde bem quiser. Pegarei minha moto e deixarei a estrada me levar, com "Born to be Wild" tocando ao fundo. Porém, precisei passar por um tremendo processo burocrático e bem salgado (uma "avaliação médica" de 5 segundos custa quase 48 reais). Enfrentei aulas malditas de CFC, assistindo a vídeos sensacionalistas e tendo que responder difíceis questões: "Ao fazer a respiração boca a boca, o ar sai pelos ouvidos?".

Passado essa tortura, nesse sábado tive minha primeira aula prática. Eu, que nunca cheguei a pisar num acelerador, eu, que jamais estacionei o carro na garagem, eu, que de carro não entendo nada, eu, que já pressentia o terror se aproximando.

- Sabe dirigir, não? , pergunta o instrutor.
- Não tenho a mínima idéia. , respondi honestamente.
- Mas você não tem noção nenhuma?
- Olha... Eu sempre fui bom naqueles "carrinhos de bate-bate!".


Acho que ele percebeu a gravidade da situação. Após alguns minutos, com ele dirigindo, o instrutor estacionou o carro num condomínio perto da região. Começou a me dar alguns leves ensinamentos: "Pisa aqui, liga lá, embreagem, acelera, engata a segunda...". Fingi que entendi e sentei na posição de piloto - que maravilha. Coloquei o cinto de segurança, chequei os retrovisores, dei partida e tentei por em prática aquilo que fingi ter entendido. Vamos lá: "pé na embreagem, ponto morto, engata a primeira, tira o pé levemente da embreagem, o carro começa a andar, acelera um pouquinho, vai pegando movimento, não acredito - tá andando! De primeira! Como sou foda, como sou foda, como sou...". Morreu.

Dei aquele sorrisinho amarelo e repeti o procedimento padrão. Funcionou. Acerto carro, conduzindo à direita, tento me concentrar em não fazer besteira, e vejo uma bela reta à minha frente. Não tive duvida: sentindo-me no filme "Velozes e Furiosos", meti a segunda marcha, engatei a terceira e pisei fundo no acelerador. 30 km/h... 50 km/h... 60km/h... 50km/h... 40km/h... 20km/h... 0km/h.

- Senna, não pode passar de 40 km/h! , ouço do instrutor, mostrando que ele pisava no pedal de freio destinado aos condutores para evitar alguma maluquice de algum aprendiz metido a sabichão, como era meu caso.

No final das contas, achei tudo muito estranho. Você tem um pouco de medo, insegurança e acha que a combinação "pisar na embreagem, trocar de marcha e tirar suavemente o pé da embreagem", é tarefa para piloto profissional. Fazer curvas fechadas e descer ladeiras, me deu uma baita meda. Porém, acho que só vou aprender mesmo a dirigir, após tirar a carta de habilitação. Tirando que quase atropelei um cachorro (devia ser um obstáculo proposital) e deixei o carro "morrer" duas vezes, minha atuação não foi das piores.

Dirigir é bem gostoso. Na primeira vez: muito estranho.

posted by Gustavo 6:11 PM|

Domingo, Fevereiro 08, 2004
Só ganha se for "na boquinha"

Dois amigos meus passaram na USP. Estão felicíssimos. É tanta alegria que nem cabe no rosto de ambos. Sexta-feira, eles resolveram fazer o famoso "pedágio". Pegamos umas tintas, pintamos seus rostos, escrevemos o nome da universidade na testa de cada um e até demonstrei minha grande veia artística, desenhando um falo nas costas de um deles. Um outro amigo pega a tinha azul, olha para minha cara e vem apontando o fura-bolos sujo de tinta em direção à minha face.

-Ei, quem passou foi eles! Eu passei há dois meses. , falei, me distanciando do dedo ameaçador.
- Ah, nem quero saber. Você ainda não fez e vai fazer agora, ô bicho! , ouvi de resposta.

Concordei e deixei pintarem meu rosto. No caminho até o semáforo mais famoso de Sorocaba, fui indagando: "Bem, cá estou eu. Enquanto eles passaram em faculdade pública e tal, estou numa faculdade particular e ainda de padre. Em suma, eles ganharão mais dinheiro do que eu".
Chegamos ao local. Cada um pegou um saco plástico e esperamos o sinal fechar. Pronto, chegou o tão aguardado momento. Dirigi-me ao carro mais próximo, e meio gago pedi:
- O...o... oi. Tem alguma moedinha pra ajudar o bixo?

O senhor fez o sinal de negativo. Meio frustrado, caminhei até a segunda tentativa. Nada, de novo. Terceira tentativa: nada. Em alguns milésimos resolvi desencanar da timidez e mandar bala. Abri o "sorriso Colgate", e com uma simpatia de dar inveja a qualquer vendedora de cosméticos pedi para uma senhora num Corsa:
- Olá! Tem algum trocadinho pra ajudar o bixo? Não? Serve vale-refeição, esse chiclete em cima do painel...

A mulher soltou uma gargalhada e despejou algumas míseras moedinhas na sacola. E fui assim adiante, ganhando moedinha, exibindo sorrisos e até passando uma cantada nas jovens motoristas.
- Boa tarde! Tem alguma moedinha? Ah, não? Mas com esse belo sorriso deve ter telefone, né?!

Não ganhei o número do telefone, mas diversas moedinhas choveram na sacola. Ouvia muitos "não", outros "na volta eu dou", mas fiquei impressionado com a boa vontade do povo sorocabano. Quando digo "povo", refiro-me à camada mais simples. Eles que têm boa vontade e são simpáticos. Nenhum carro de luxo - com uma dondoca ao volante - deu algo para mim. Raras foram às exceções. O sujeito no seu carrinho, suando para manter as prestações do automóvel em dia, desejava-me felicidades e muita sorte no futuro, contribuindo com o que tinha na carteira. Fiquei muito feliz e um pouco envergonhado, com a situação inusitada. Que orgulho, existirem pessoas assim! Eles são o nosso povo, o nosso país - não essa elite escrota que manda e desmanda por todo o território nacional.

O highlight do dia foi quando um Golf prateado, conduzido por uma morena beirando os 40 anos, acompanhada da mãe e esbanjando simpatia, disse-me graciosamente:

- Viu, dinheiro eu não tenho... Mas tenho bala, serve?
- Lógico! , respondeu o glutão que vos escreve.
- Mas tem uma condição: só ganha se for "na boquinha"...

Eu não acreditei. Nem pensei e já abaixei em direção a janela, sentindo ser o rapaz mais sexy do universo. Certamente seria um momento de destaque nessa minha vidinha. Ganhei a bala e a disputa com meus amigos. Eles podiam ter ganhado um bilhete premiado da mega-sena, mas, eu, só eu, ganhei uma bala "na boquinha".

posted by Gustavo 8:59 PM|



"A reportagem que você vai ler agora relata fatos que aconteceram exatamente como estão descritos neste livro: a vida de Olga Benário Prestes, uma história que me fascina e atormenta desde a adolescência...".

O trecho acima faz parte da apresentação de "Olga", o maravilhoso livro de Fernando Morais. Minha impressão é essa: que baita livro! Parece um romance de espionagem, com muito amor, com muitas batalhas, com vingança, com cobiça, com intrigas e interesses, com tudo que um grande romance deve ter. Mas como se trata da história da vida de Olga Benário, o livro ganha formas pessoais.

Uma militante do Partido Comunista, charmosa, bonitona, muito jovem e extremamente inteligente. Foi entregue de bandeja pelo governo Vargas a Hitler, como forma de vingança pessoal do chefe de polícia Filinto Muller, um grande inimigo de seu marido, Luís Carlos Prestes. Além de comunista, Olga era judia. E tem mais: quando fora expulsa do Brasil, ela estava grávida. É uma grande aula de história nacional e mundial, acima de tudo.

É impressionante, vale a pena.

Obs: Está previsto para chegar nesse semestre aos cinemas brasileiros, a adaptação do livro para a sétima arte, com direção de Jayme Monjardim e elenco de atores formidáveis: como Fernanda Montenegro (só para citar).

posted by Gustavo 1:02 PM|

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004


Sarava! Acabou finalmente o tal do "SP Fashion Week". Não agüentava mais ver em manchetes de jornais e revistas tanta gente bonita e feliz. Não tinha mais pobre no Brasil, que impressionante! Nosso povo tupiniquim durante uma semana ficou europeu: cabelos loiros e castanho-escuros lisos, pele alva, uma mulher reta, não curvilínea e os olhos... Ah, os olhos. Azul-mar, verde-limão, caramelo-pantera. Nada de olhos castanhos, que engraçado...

Eu, de moda, não entendo patavina. No máximo sei o nome de algumas modelos e estilistas. Mais perdido do que eu, só o João Marcelo Bôscoli comandando o canal exclusivo da GNT para a cobertura do evento. Jogaram o filho da Elis numa tremenda emboscada. Quando conversava (tentava) com alguma top-model, a fala monossilábica da entrevistada deixava o garoto meio avexado, sem poder de improvisação. Sofria mais ainda quando comentava o desfile. Ia o estilista todo pomposo, dava dois beijinhos e dizia tudo o que passou em sua cabeça ao costurar uma calça. "Aqui, Marcelo, como você pode observar, eu retratei a angústia do ser humano. Já nessa outra peça, esses bordados demonstram toda a espiritualidade que eu enfrentava no momento da criação". Tadinho do João Marcelo. Apenas concordava com a cabeça tudo aquilo que lhe era falado, rezando para o ponto chamar logo os comerciais ou a participação da comentarista especialista de moda do canal.

Ponto negativo para a GNT, que teve a "brilhante" idéia de chamar um garoto especialista em música para comentar desfile de moda.

E rapaz, quanta mulher! Lindas, perfeitas e... Magras. Se a guria não é todo osso, parecendo o mancebo que guarda os casacos de casa, elas faziam o modelo "chester", ou seja, peito e osso. A grande representante dessa categoria é a super, hiper Bündchen. Belezura de mulher, mas quando abre a boca lembra aquela argentina do Big Brother. Ainda bem que a tecnologia facilitou nossas vidas. É só apertar o botão "mudo" do controle remoto e admirar a beleza da Gisele - quieta, por favor.

Algum dia, eu quero ver esses desfiles. Dizem que é bacana, você vê atrizes da Globo por todos os lados, ganha brindes e ainda tem a chance de dar um encontrão com a Mariana Weickert, Adriana Lima e Ana Hickmann. Para essas deusas, parafraseando o hype Raul Gil, "eu tiro o chapéu!".

posted by Gustavo 10:20 PM|

Façam suas apostas

Seio de Janet Jackson é imagem mais procurada da história

Em quanto tempo vai aparecer a periquita da Arghilera ou da Irritney?
posted by Gustavo 5:19 PM|

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
O pózinho da feiúra

Segundo um grande amigo meu, existe uma explicação para a razão de certas pessoas serem bonitas ou feias. É a "Teoria do Pó da Feiúra".

Ao nascer, você deve passar esse pó no rosto. Alguns passam um pouquinho e outros até esquecem. Porém, tem um rapaz que deve ter enfiado a cara no pó:



Ô, coisa feia!

posted by Gustavo 7:32 PM|

Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
R.E.S.P.E.C.T.

Meu pai é viciado no Big Brother. Ele é daquelas pessoas que já foram abduzidas por esse mal. Não perde um episódio, nem alguma fofoca sobre um participante no programa do Clodovil. Porém, não é sobre isso que quero escrever. Escreverei sobre um acontecimento curioso ocorrido no próprio BBB, nesse domingo, enquanto acontecia a votação de quem seria escolhido para ir para o paredão. Pedro Bial chama o já emparedado Cristiano, aquele cover do Vinny e Paulo Nunes. O rapaz entra no confessionário e declara o seu voto.

- Então, Bial... Eu vou votar no Marcelo Dourado.
- Por qual motivo? , pergunta o apresentador.
- Bem... Eu não consigo conviver com uma pessoa que não acredita em Deus. Não sei como uma pessoa pode ser assim. Deus, que é tudo na minha vida, Deus, que faz todas minhas graças. O Marcelo deve ter muito ódio no coração. Por isso que eu vou votar nele, responde o participante, apontando para o desenho em sua camisa: um bonequinho com um par de chifres, dando-se a idéia de uma ligação do diabo com o outro participante.
-
Calma, aí! Pára tudo! Entenderam a brilhante explicação? O rapaz vai votar no cara por ele ser preconceituoso, por não acreditar no barbudo lá de riba!

Calma, aí, de novo! Quem tem preconceito nessa história é o Paulo Nunes! O outro não tem suas crenças e fica na dele. E o Cristiano? Fica pagando uma de profeta, sendo um falso moralista de altíssimo grau.

Fico aqui matutando: será que o público brasileiro, do meu coração, concorda com a atitude do loirinho? Um povo sofrido como o nosso, que apela pra Deus pra tudo quanto é pedido, que descrente com a realidade, veste um terninho e vai pedir à benção ao padre, sonhando com dias melhores. Um povo que acredita nas sábias palavras do pastor. O cara chuta a santa e pede uma ajudazinha pra reconstrução da paróquia. "Não tem dinheiro, meu irmão? Serve seu vale-refeição. Deus te abençoe".

Falar de teologia, nunca foi de meu agrado. Quer conversar sobre esse assunto? Tudo bem, fale com alguém que tenha o mesmo pensamento que o seu. Respeito sua forma de pensar, e espero que você faça o mesmo comigo.

Pronto, saquei! Olha a palavra que poucos conhecem: RESPEITO. O ser humano é individualista, acha ser o dono da verdade. "Eu sou normal, estranho é você". Deixemos cada um com suas crenças, pensamentos e ideais. Analise o mundo e perceba como muitos acham que o mundo só gira ao redor do próprio umbigo. Respeito e humildade são os pilares do movimento hip hop.

"Respeito" e "humildade". Duas belas palavras...

posted by Gustavo 10:33 PM|

Domingo, Fevereiro 01, 2004
O verdadeiro manjar dos deuses

Poucas coisas não vida devem ser tão gostosas como um belo sanduíche de mortadela. Isso mesmo! A simples combinação de duas fatias de pão, requeijão e mortadela, muita mortadela, resulta numa delícia gastronômica.

Para ser dos bambas, não se pode economizar na mortadela: ela tem que sair do pão. Minha recomendação é de no mínimo duas fatias e olhe lá! Se não sobrar espaço no pão, não há problema. Enrole e dobre a mortadela, deixando a com um aspecto meio "complexo de Golgi". Várias e várias camadas são o ingrediente principal.

Não gostar de um sanduíche de mortadela é como não gostar de Chaves: impossível. Tenho pena é dos vegetarianos e afins. Esses não sabem o que é bom na vida. Nem adianta me explicarem as mil e uma maravilhas de um sanduíche com carne de soja. Não quero explicação: quero o meu sanduíche de mortadela. Tudo por um sanduíche de mortadela.

Gosto da mortadela normal, sem muita xurumela. Vovó que adorava uma bem apimentada, picante. Num tom provocativo ela me chamava.
- Meu menininho. Venha cá ver como é bom...

Rapaz, aquela mortadela até descongestionava as narinas. Era melhor do que "Sorine"!

posted by Gustavo 9:55 PM|

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